Quem sou eu em meio a tantas crenças, opiniões e "verdades" que me atravessam todos os dias?
Será que essas vozes que insistem em dizer que eu tenho que ser alguém importante, ser útil, compartilhar meus conhecimentos, trabalhar sem parar para ser feliz, me esforçar para prosperar ou viver sempre "correndo atrás" para que algo aconteça... são realmente a voz da minha alma?
O Peso das Perspectivas Alheias
Todos os dias, ao abrir uma rede social, assistir a um vídeo, ler uma notícia ou mesmo um livro, encontro alguém dizendo - de forma explícita ou sutil - o que significa ser feliz, realizado ou bem-sucedido. Cada pessoa compartilha a sua visão de mundo, a sua experiência, aquilo que faz sentido para ela.
Mas, no mais íntimo, será que isso é necessariamente verdade para mim?
Ou será que, sem perceber, vou comprando essas perspectivas como se fossem minhas e, depois, me julgando por não conseguir viver da mesma maneira?
O Desafio de Viver o Próprio Presente
Às vezes tenho a sensação de que posso estar perdendo o convite que a vida me faz neste exato momento porque, sem perceber, continuo tentando me encaixar em modelos que pertencem a outras pessoas.
Enquanto isso, a vida segue passando.
Antes, talvez eu não tenha conseguido ouvir quem realmente era ou o que queria fazer porque a sobrevivência - material e emocional - ocupava todo o espaço.
Agora, posso estar repetindo o mesmo movimento por talvez ainda me sentir perdida e, por isso, buscando uma voz que me diga qual caminho seguir.
Assumindo a Autoria da Própria Estrada
Mas o caminho é meu.
Se continuo vivendo a partir das vozes dos outros, por mais inspiradoras que elas sejam, não estou caminhando na direção daquilo que nasce de mim. Estou apenas percorrendo a estrada de outra pessoa.
Isso não significa que eu deva fechar os ouvidos para o mundo.
Ao contrário. Conhecer diferentes perspectivas amplia o meu olhar, enriquece a minha compreensão e oferece aprendizados valiosos. Posso acolher o que chega, refletir sobre isso e extrair o que faz sentido.
Mas não preciso transformar cada ideia em uma nova verdade sobre quem eu deveria ser ou fazer.
A Nossa Essência como Medicina
Quando opiniões, formas de viver, conceitos de sucesso, de espiritualidade, de felicidade ou de realização se tornam massificados, corremos o risco de apenas adicionar novas camadas de crenças sobre nós mesmos. E cada camada pode encobrir um pouco mais aquilo que existe de mais autêntico: a nossa própria essência.
E a nossa essência é medicina para a gente, para as nossas relações, para a vida. Não tem nada de errado com quem a gente é.
O Chamado da Maturidade e o Tempo de Voar
A maturidade é também um chamado para voltar para mim e assumir quem sou depois de talvez ter passado tantos anos tentando corresponder a modelos que nunca foram verdadeiramente meus.
Esse retorno tem o seu próprio tempo.
"Um pássaro passa toda a vida dentro de uma gaiola, quando a porta dessa gaiola, um dia, se abre, talvez ele permaneça ali por um tempo até entender que pode sair. E, quando finalmente percebe que pode sair, talvez ainda leve mais um tempo até se dar conta de que pode finalmente voar."